Líderes temem embate público com Moro
Coluna do Estadão
13 de maio de 2019 | 05h00
A forma como a MP que redesenha a Esplanada – e tira o Coaf de Sérgio Moro – vem sendo tratada na Câmara ligou um sinal de alerta em líderes do Centrão e adjacências. Alguns já dizem que, se não houver acordo, a medida não vai para plenário. Não querem o desgaste de derrotar Moro em uma longa sessão, transmitida ao vivo em redes sociais dos deputados tuiteiros. O PSL sabe que, matematicamente, não tem chances de ajudar o ministro. Mas usa a tática de insistir no discurso eleitoral e deixar a digital do Centrãona provável derrota de Moro.
Vixe! O PSL subiu o tom nas redes sociais para atacar o Centrão no fim de semana. No entorno de Rodrigo Maia, dizem que ele não gostou de saber que Major Vitor Hugo(PSL) supostamente afirmou só haver “bandido na Câmara”.
Antes eles… O PSL prefere correr o risco de não aprovar (ou aprovar no laço) a MP a se indispor com seu eleitor. Mas tem de combinar com o Planalto, que faz jogo dúbio.
… do que nós. O sentimento foi reforçado depois de dura reunião da bancada do PSL no Planalto com o presidente, solicitada pelos próprios parlamentares.
Apocalypse now. João Roma (PRB-BA) faz um apelo: “Sou favorável ao Coaf com Moro, mas isso já caiu no colegiado. Se quiserem esticar a corda em cima de discurso de palanque, não vai dar tempo de votar. Aí volta para 39 ministérios”.
Nova frente. Enquanto o governo bate cabeça para garantir que a medida provisória que reduz o número de ministérios seja aprovada a tempo, outra MP entra na mira dos parlamentares: a da contribuição sindical.
Esquece. “Já era isso aí”, diz um líder. A comissão chegou a ser instalada, mas, por falta de quórum, não conseguiram votar relator e presidente. O governo diz que, apesar da reforma da Previdência, deve insistir nessa MP.
Expectativa. Centrais sindicais dizem que, na prática, a medida não pegou no grande empresariado. Pequenas e médias empresas têm insistido em brigar, mas a maioria das decisões judiciais tem sido favorável às entidades.
SINAIS PARTICULARES
GOVERNADORES
Rui Costa (PT-BA)
Colchão. Metade dos brasileiros declara não conseguir juntar um dinheirinho. É o que mostra pesquisa encomendada pela Associação Nacional dos Participantes dos Fundos de Pensão, em meio às discussões sobre a Previdência.
Colchão 2. O principal motivo citado (42%) é a renda insuficiente para manter esse hábito. Só 13% poupam com regularidade e, desses, 69% guardam até R$ 300 por mês. Não é para se aposentar: a maior parte dos brasileiros pensa em eventualidades (14%) e, em seguida, viagens (13%).
CLICK. O presidente Jair Bolsonaro homenageou sua mãe, Olinda, em rede social: “Essa é a minha, 92 aninhos. Um abraço a todos”. Ela mora em Cajati (SP)
Plano B. O PR se reúne nesta semana para tomar uma posição em relação ao decreto sobre uso de armas de fogo do presidente Jair Bolsonaro. O partido de Capitão Augusto (SP) não descarta apresentar uma medida similar, via projeto de lei, caso o decreto caia.
Disputa. O advogado Vinícius Carvalho diz que a marca MBL está registrada sob seu nome e, portanto, o grupo de Kim Kataguiri (DEM) não poderia criar um partido com o nome do movimento. A Coluna mostrou que o grupo avança para se tornar uma legenda.
PRONTO, FALEI!
Eduardo Cury, deputado federal (PSDB-SP): “A MP da liberdade econômica é essencial para tirarmos as amarras do atraso que sabotam nosso setor produtivo e corroem o futuro do Brasil.”
COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA
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