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Por que a deputada Tabata Amaral está certa sobre a reforma da Previdência

POR MÍRIAM LEITÃO

  / O GLOBO

 

Tabata Amaral contraria PDT: 'tristeza' ser contra Previdência - Home - iG

É interessante a postura da deputada Tabata Amaral (PDT-SP) sobre a Previdência. Eu a conheci antes de ela ser candidata, como ativista pela educação. E ela quer, obviamente, que sobre mais recursos para a educação. Aí vem a reforma que trata de um gasto que consome muitos recursos. Fazer o que diante disso? O partido dela, PDT, é contra a reforma e já fala até em fechar questão, para que toda a bancada vote da mesma forma. Tabata se define como progressista e acha que por isso mesmo tem que ser a favor de uma mudança que pode reduzir desigualdades. 


Ela não concorda com todos os pontos da reforma, tem divergências, e essa é a forma inteligente de lidar com o projeto. Não ser a favor de tudo ou ser contra tudo. Ela é a favor do aumento da idade mínima, e sendo jovem seria estranho se fosse contra. Sabe que as pessoas estão vivendo mais. Também apoia as alíquotas progressivas de contribuição dentro do setor público, que sobe quanto mais alto for o salário da pessoa, e apoia as medidas de combate aos privilégios. 

Ela é contra mudanças no BPC, porque atinge os idosos em condição de miserabilidade. Também quer mais explicações sobre a aposentadoria rural. Sobre a capitalização, quer mais detalhes, e de fato falta muita informação sobre essa ideia da equipe econômica.O projeto apenas cita que pode ter esse sistema no futuro.



Tabata sempre defendeu a valorização do professor e tem dúvidas sobre mudanças da idade de professor se aposentar. A questão aqui é que aposentar mais cedo não é a melhor forma de valorizar. A aposentadoria não pode ser usada como forma de compensar salários baixos ou o trabalho precário de muitos professores no país. Não é esse o caminho. É preciso valorizar a profissão, mas de outra forma. 

Gosto da atitude da deputada, que está olhando para a proposta e fazendo uma análise ponto a ponto. O Deputado Mauro Benevides também está na mesma situação, dentro do PDT. É a favor da reforma, sabe que ela é necessária, foi o primeiro economista de candidtado a defender a capitalização durante a campanha - ele assessora Ciro Gomes - mas o que acontecerá com ele se partido fechar questão contra a reforma?

Certa vez conversei com uma senadora do PT sobre o projeto apresentado pelo próprio partido, no início do governo Lula. Ela ficou contra, e me ligou porque eu estava a favor. Eu perguntei a ela se era contra ou a favor da redução das desigualdades. Ela disse que era a favor. Mesmo assim era contra o projeto que corrigia algumas das desigualdades. Ela ficou contra a proposta e deixou o partido para fundar o PSol, naquela época.

O ideal é que haja uma conversa inteligente sobre a reforma, nem apoiar tudo, nem ser contra tudo. Sem ser a favor porque se é governista, nem ser contra só porque se é oposição. 

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