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Propagandas de adversários na TV deram votos a Bolsonaro, diz coordenador de campanha de Alckmin

 

Para Marcelo Vitorino, coordenador de redes sociais e de mobilização da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência, a estratégia de expor na televisão o discurso de Jair Bolsonaro, o acusando de ser homofóbico, racista e machista, acabou sedimentando a preferência do eleitorado brasileiro por ele.

“É um candidato que não tinha tempo de televisão para expor suas ideias, mas nós demos esse tempo”, afirmou. “Com a comunicação exacerbando falas do candidato, as pessoas que eram adeptas do politicamente incorreto, com pensamento conservador ou anti-PT, encontraram seu representante.” Vitorino também trabalhou na estratégia de redes sociais de Marcelo Crivella, atual prefeito de Rio, na campanha em 2016.

ÉPOCA - Quais os maiores erros e acertos da campanha do Alckmin?

Marcelo Vitorino - É difícil falar só da campanha do Alckmin. Nós tivemos uma eleição muito volátil, em que um candidato com poucos dias acabou sofrendo um evento trágico, que foi a facada, e isso o catapultou para cima. É natural, decorrente da exposição midiática que ele teve. As campanhas contrárias ao vencedor não tiveram a capacidade de lidar com essa eleição instável, nem com o tipo de comunicação que o eleitor de hoje quer.

ÉPOCA - Qual a estratégia de comunicação mais adequada para os dias de hoje, então?

MV - O eleitor hoje quer uma comunicação muito mais direta, mais objetiva, e com valores muito bem definidos. Enquanto você teve cinco candidatos mais abertos a um discurso politicamente correto, tinha um candidato conservador que surfou sozinho nessa onda. As pessoas que pensam como ele só encontraram um candidato que se adequasse às suas expectativas.

ÉPOCA - Mas o Alckmin queria ser esse candidato conservador?

MV - Não posso falar por ele, mas nunca presenciei uma postura de um candidato conservador, o que eu presenciei foi um candidato de centro, mais liberal. A comunicação não só dele, mas de todas as campanhas, vão ter que ser revistas daqui pra frente. Nas últimas eleições, ganhava o candidato que se eximia de falar de temas polêmicos por quatro anos, tinha tempo de televisão e levava gente pra rua. Isso mudou. O candidato que a população quer acaba tendo um apreço maior se não foge de temas polêmicos. Ele falar algo que desagrade alguém não é problema mais, as pessoas querem transparência absoluta.

ÉPOCA - Foi um erro bater em Bolsonaro nas propagandas de televisão?

MV - Nunca concordei com isso. O público já está mais crítico desse tipo de coisa, e coloca os ataques na conta da velha política. Se há um candidato considerado por boa parte dos eleitores como o “anti-PT”, não convém atacá-lo caso você queira se aproximar das pessoas que rejeitam o PT. Elas considerarão seus ataques como negativos, dado que você está atacando diretamente a crença delas. É um candidato que não tinha tempo de televisão para expor suas ideias, mas nós demos esse tempo batendo nele.

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