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Toffoli diz que recebeu dinheiro por ser sócio da empresa que vendeu resort a fundo de Vorcaro

Mônica Bergamo / Mônica Bergamo é jornalista e colunista / FOLHA DE SP

 

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli recebeu dinheiro da Maridt, que vendeu sua participação no resort Tayayá em 2021 para um fundo da teia do banqueiro Daniel Vorcaro.

Ele disse que isso ocorreu, naquela época, por ser sócio da empresa junto a outros familiares.

A explicação foi dada por ele a interlocutores depois que a Polícia Federal passou a apurar a transferência de recursos para o magistrado.

É a primeira vez que o magistrado detalha seu envolvimento com o resort e a companhia dos irmãos.

De acordo com a explicação dada por Toffoli, ele é sócio há vários anos da Maridt, que seria uma típica empresa familiar.

Seu nome não aparece nos documentos públicos da empresa, no entanto, porque ela é uma Sociedade Anônima de livro _em que o nome dos acionistas não é acessível a terceiros, como nas companhias abertas.

Por isso apenas o nome de dois de seus irmãos são públicos, por serem eles os administradores da empresa.

De acordo ainda com Toffoli, todas as transferências de recursos, feitas ao longo de diversos anos, foram lícitas e declaradas à Receita Federal. Têm origem e destino rastreáveis.

A Maridt era dona de 33% do resort Tayayá, que foi vendido em 2021 para o fundo Arleen, parte de uma teia controlada pelo banco Master.

O ministro afirmou a interlocutores também que o próprio fundo já vendeu as ações para terceiros, e com lucro. O negócio, portanto, teria sido lícito.

Na época, Vorcaro não frequentava as páginas policiais e era considerado um banqueiro em ascensão.

O ministro apontou também nos diálogos que todos os pedidos feitos pela Polícia Federal contra Vorcaro foram deferidos por ele —entre outros, novas buscas e apreensões nas investigações que apuram irregularidades na condução do Master.

 

PF mira aportes do RioPrevidência no Master e investigado joga mala com R$ 429 mil pela janela

Por Felipe de Paula e Fausto Macedo / O ESTADÃO DE SP

 

 

Operação Barco de Papel, nesta quarta-feira, 11, cumpre dois mandados de busca e apreensão nos municípios de Balneário Camboriú e Itapema, litoral de Santa Catarina; ocupante do imóvel em Camboriú tentou se desfazer de mala cheia de dinheiro vivo após entrada dos federais 

 

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 11, a terceira fase da Operação Barco de Papel, que apura suspeitas de irregularidades em aportes do RioPrevidência, fundo dos servidores do Estado do Rio, em títulos do Banco Master. Um dos alvos da operação jogou pela janela uma mala com R$ 429 mil em espécie ao ser surpreendido por agentes da Polícia Federal em Balneário Camboriú.

Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta manhã em Balneário Camboriú e em Itapema, autorizados pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Segundo a PF, a terceira fase da Operação Barco de Papel foi motivada por “indícios de obstrução de investigações e de ocultação de provas”.

Aplicação no Master

O fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro aplicou R$ 970 milhões no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central e suspeita de operar créditos podres, sem qualquer garantia do FGC, o que poderia gerar prejuízos aos servidores.

 

Batizada de Barco de Papel, a operação suspeita que as operações foram aprovadas de forma irregular, incompatíveis com a finalidade do instituto de previdência e expuseram os servidores públicos a “risco elevado”. São apurados crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro repartição pública e fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva.

 

A primeira diligência da PF na investigação atingiu o ex-diretor de investimentos do fundo, Euchério Rodrigues, e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal, que haviam deixado seus cargos após as suspeitas envolvendo o caso Master.

 

Segundo o fundo, os papéis foram emitidos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034. Atualmente, a autarquia está em negociação para substituir as letras por precatórios federais.

Ex-presidente do fundo

Em 3 de fevereiro, o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso por agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.

Deivis havia deixado a direção do fundo em 23 de janeiro, após a primeira fase da Operação Barco de Papel, e viajou para os Estados Unidos poucos dias antes das diligências. O Estadão apurou que antes da viagem, no dia 15, ele passou a evitar a própria residência no Rio de Janeiro e se mantinha em estado de alerta, receoso de ser surpreendido por uma operação da Polícia Federal.

 Janeiro

Ao retornar dos Estados Unidos, Deivis desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, e pretendia seguir de carro para o Rio de Janeiro.

O voo do ex-presidente do fundo previa conexão em Guarulhos com destino ao Aeroporto do Galeão, no Rio. Ele, porém, não compareceu ao embarque. Em vez disso, alugou um carro e seguiu pela Rodovia Dutra. Em uma operação coordenada pela Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária Federal, acabou preso em Itatiaia, já no estado do Rio de Janeiro, a cerca de 200 quilômetros de São Paulo.

Deivis deixou Guarulhos de carro por volta das 7h e foi preso às 9h pelos federais.

 

 

O apoio massivo a Flávio Dino nas redes após suspensão de penduricalhos

COLUNa do lauro jardim Por  Pâmela Dias / o globo

 

E Flávio Dino mais uma vez ganhou os holofotes nas redes sociais. Desta vez, após a decisão do ministro do STF de suspender o pagamento de “penduricalhos” ilegais no serviço público.

 

Levantamento inédito da Nexus aponta que o tema acumulou mais de 535 mil interações no X em menos de 24 horas, a contar da última sexta-feira, após a determinação de Dino. Foram cerca de 50 mil publicações feitas por 25 mil usuários únicos, com alcance estimado de 9,3 milhões de impressões.

 

Segundo a análise, predominam manifestações de apoio à medida, com críticas a privilégios e a pagamentos acima do teto constitucional. Termos como “fim da farra”, “supersalários” e “teto do funcionalismo” ganharam destaque, especialmente após o Congresso aprovar reajustes e abrir brechas para remunerações superiores ao limite constitucional.

 

Já no Facebook e no Instagram, outra amostra com 3,6 mil publicações em português, no mesmo período, soma mais de 576 mil interações — entre reações (incluindo curtidas), comentários e compartilhamentos.

Estratégia de Fachin para código de conduta no STF divide até ministros favoráveis à ideia

Ana Pompeu / FOLHA DE SP

 

 

A estratégia do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, para avançar com um código de ética para a corte divide até mesmo ministros favoráveis à criação de regras de conduta.

Em avaliações internas, Fachin indicou que conta com o apoio da maior parte dos dez ministros atualmente no tribunal para aprovar a proposta, que se tornou uma bandeira de sua gestão.

Mesmo entre apoiadores, no entanto, há hesitações em relação ao momento escolhido para o debate. A preocupação de um grupo de ministros é que a discussão fragilize a corte e fomente ataques em meio a uma crise de imagem e num momento em que há integrantes vulneráveis por questionamentos sobre suas condutas.

A ideia de um código é bem recebida por grupos diferentes no STF, segundo relatos feitos por ministros e assessores. Além de Fachin, Cármen Lúcia (anunciada como a relatora do projeto), Cristiano Zanin, Luiz Fux, André Mendonça e Flávio Dino comporiam o grupo receptivo à concepção de uma proposta.

Estão nessa ala, portanto, ministros que já divergiram em momentos importantes do tribunal, como na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por golpe de Estado —caso de Zanin e Fux.

Críticos ao projeto já haviam manifestado receio quanto ao momento da discussão, mas Fachin terá de lidar com a resistência também de ministros que concordam com a ideia.

Alguns magistrados passaram a enxergar o risco de a proposta ser vista como resposta a ataques e, assim, dar razão às acusações.

Esse é um dos motivos pelos quais o presidente passou a considerar a possibilidade de deixar a discussão concreta para depois das eleições. Com a articulação, o ministro ganha tempo para tentar consolidar apoios

Para avançar, Fachin terá de ampliar o debate interno. Com o recesso judiciário, os ministros ficaram mais de 40 dias sem um encontro conjunto. Além disso, um almoço entre os ministros, que ocorreria na quinta (12), foi cancelado.

Na volta do recesso, Fachin avisou aos colegas que havia escolhido Cármen para elaborar o texto do código e teve diálogos individuais com os ministros, mas as conversas ainda não foram aprofundadas.

A hesitação de apoiadores e opositores também passa pela ausência de um texto formal. Ao menos três ministros que têm diferentes visões sobre o tema avaliam estar diante de uma discussão ainda abstrata.

Para uma ala de ministros, mais simpática à ideia, o código de ética é uma resposta importante que o Supremo deve dar à sociedade para fazer frente à crise de imagem agravada por desdobramentos da investigação sobre o Banco Master.

O escritório da esposa de Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci, firmou um contrato de R$ 3,6 milhões mensais com a instituição financeira para representá-la na Justiça, segundo o jornal O Globo.

Além disso, empresas de parentes do ministro Dias Toffoli fizeram parte de uma sociedade com um fundo de investimentos ligado ao Master no resort Tayayá, no Paraná, como revelou a Folha.

Na primeira sessão plenária de 2026, na quarta-feira (4), Dias Toffoli, relator da investigação sobre o Master, defendeu que juízes podem ser sócios de empresas, desde que não dirigentes.

Alexandre de Moraes também reagiu publicamente. Ele negou que integrantes da corte julguem casos com os quais tenham relação pessoal e disse que a opinião pública "passou a demonizar palestras".

O ministro também afirmou que a Constituição e a Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional) "bastam para regrar a magistratura", fala que foi compreendida internamente como uma crítica às diretrizes do atual presidente do STF.

A referência à Loman também já foi feita pelo decano, Gilmar Mendes, desde o fim do ano passado. O ministro defende que o país já conta com regras adequadas para balizar a atividade.

Um dos textos citados por interlocutores do presidente da corte para justificar a criação do código é um estudo da Fundação FHC, que aponta a necessidade de fortalecimento da reputação pública de magistrados.

O texto tem sugestões, inclusive o código de conduta, com indicação de cláusulas que obrigaria os ministros a cumprir regras de imparcialidade, integridade e honestidade.

Também fala sobre normas específicas sobre manifestações públicas, participação em eventos e quarentena maior após um ministro deixar a corte.

Além disso, o estudo propõe regras mais claras sobre suspeição e impedimento. Esses são os casos nos quais os ministros se retiram de processos por algum conflito.

A Loman é uma legislação anterior à Constituição de 1988 e foi sancionada ainda na ditadura militar, em 1979.

 

Caso Master: Ibaneis e fundo da Reag fizeram ‘dobradinha’ para ocupar Conselho Fiscal do BRB

Por Daniel Weterman / O ESTADADÃO DE SP

 

 

BRASÍLIA — O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), fez uma “dobradinha” com um fundo da Reag Investimentos, investigada por operações fraudulentas com o Banco Master, para indicar representantes do Conselho Fiscal do Banco de Brasília (BRB) entre 2024 e 2025, período em que o BRB comprou carteiras do Master e tentou comprar o banco de Daniel Vorcaro.

 

Ibaneis emplacou sua chefe de gabinete, Juliana Monici Souza Pinheiro, em uma das vagas e indicou os advogados Leonardo Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói de Sousa como titular e suplente de outra vaga. Mais tarde, o fundo Borneo, administrado pela Reag, que virou acionista do BRB, assumiu a paternidade da indicação dos dois advogados.

 

Procurado, o BRB disse que a eleição de integrantes do conselho segue a Lei das Sociedades Anônimas. “O Banco informa ainda que não é competência do Conselho Fiscal deliberar sobre cessões de carteira ou operações societárias”, afirmou.

 

Celivaldo Sousa disse não conhecer o fundo Borneo ou qualquer representante do Master. Ibaneis, a Reag, o fundo Borneo e os outros conselheiros não comentaram. O BRB começou a comprar carteiras do Master na metade de 2024. A Polícia Federal apontou R$ 12,2 bilhões de créditos inexistentes - que, segundo as investigações, teriam sido adquiridos de janeiro a junho de 2025. Em março, o Banco de Brasília tentou comprar o Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central em setembro.

A PF investiga uma série de fraudes envolvendo essas operações. O Master foi liquidado, o dono da instituição, Daniel Vorcaro, ficou dez dias preso e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, indicado por Ibaneis, foi afastado do cargo e também é investigado.

 

O Conselho Fiscal não tem o poder de decidir sobre os negócios do BRB, mas tem o dever de fiscalizar os atos da gestão do banco, pode pedir informações e questionar os resultados contábeis da instituição financeira. Os negócios com o Master foram aprovados pela diretoria e não foram questionados pelo Conselho Fiscal.

 

O histórico das indicações para o Conselho Fiscal

 

Ibaneis indicou Juliana Monici, sua chefe de gabinete, para o Conselho Fiscal do BRB no dia 14 de novembro de 2024. Originalmente, sua indicação foi feita como representante dos acionistas preferencialistas, que não fazem parte do grupo controlador — que é o governo distrital. Juliana foi eleita na ocasião. Mais tarde, o banco alegou um erro material na ata e corrigiu a indicação como representante do controlador.

 

Na mesma data, o governo indicou os advogados Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói de Sousa para as vagas de membro efetivo e membro suplente do conselho, respectivamente. Os dois, porém, não foram eleitos nesse dia. O próprio DF pediu a suspensão da deliberação de seus nomes até que o Comitê de Elegibilidade do BRB apresentasse parecer favorável.

 

No dia 12 de março de 2025, a assembleia foi retomada. A indicação de Juliana foi corrigida e ela passou a ser considerada representante do controlador. Foi então que o fundo Borneo FIP Multiestratégia, da Reag, que virou acionista do BRB, indicou Leonardo e Celivaldo para as vagas destinadas aos acionistas preferencialistas.Os dois advogados disputaram a indicação com outra chapa, composta pelo acionista Leonardo Peixoto Estevão, que apresentou sua candidatura à vaga efetiva, e Cristiane Estevão, que concorreu como suplente.

 

Duas semanas depois, em 28 de março, o BRB formalizou uma oferta de compra de parte do Banco Master por R$ 2 bilhões. O histórico revela uma mudança importante na configuração das cadeiras do conselho. Juliana passou de representante dos acionistas preferencialistas para representante do controlador (governo do DF) após a correção da ata. Leonardo e Celivaldo, que eram os nomes do governador, acabaram sendo eleitos por meio do fundo da Reag.

 

Além das relações fraudulentas com o Master por meio de teias de fundos, que são alvo da Operação Compliance Zero, a Reag também é investigada pela PF na Operação Carbono Oculto por abrigar fundos usados por suspeitos de sonegação e envolvimento com o crime organizado no setor de combustíveis. O fundo Borneo, administrado pela Reag, virou acionista do BRB em 2024, quando o BRB começou a comprar carteiras do Master, junto com Vorcaro. A participação deles no banco estatal foi revelada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pelo Estadão.

 

Investigadores suspeitam que a compra de ações do BRB serviu para inflar o banco do DF e, assim, permitir que ele comprasse carteiras do Master. A operação passou a ser investigada pela Polícia Federal por suspeita de fraude.

 

A indicação de Juliana e a composição final do Conselho Fiscal foram questionadas na Justiça pelo Sindicato dos Bancários do Distrito Federal. O sindicato alegou conflito de interesse na nomeação da chefe de gabinete do governador e pediu anulação da eleição, além de apontar que a composição do conselho ficou desequilibrada e favorecendo o controlador. Com a correção da ata, o pedido foi negado sem julgamento do mérito.

 

Leonardo de Vasconcelos, que chegou ao conselho por meio do governo Ibaneis e virou indicado do fundo da Reag, é um advogado cearense e foi conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entidade que foi presidida por Ibaneis no DF. Em maio do ano passado, ele tomou posse como desembargador substituto do Tribinal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE).

 

Celivaldo Elói de Sousa, por sua vez, atua como advogado criminalista em Brasília. Em 2024, ele concorreu a um cargo de diretor da OAB-DF na chapa encabeçada por Cleber Lopes de Oliveira, apoiado por Ibaneis e agora advogado do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa no caso Master. A chapa foi derrotada na eleição. Celivado já defendeu um ex-assessor especial da Secretaria de Saúde do DF preso por suspeita de fraude.

 

'Penduricalhos': veja os tipos de auxílios suspensos por Dino que favorecem supersalários no serviço público

Por Mariana Muniz — Brasília / O GLOBO

 

 

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que os Três Poderes revisem e suspendam "penduricalhos" ilegais do serviço público, ou seja, aqueles não previstos em lei, atinge uma lista de benefícios que favorecem os supersalários entre servidores de categorias privilegiadas, que chegam a ganhar mais que o teto constitucional.

 

Entre esses benefícios suspensos estão desde "auxílio-peru" a "auxílio panetone", passando por "auxílio Iphone" e "auxílio-locomoção". A decisão será analisada pelos demais ministros da Corte no plenário no dia 25 de fevereiro.

 

Ao determinar que órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário revisem, em até 60 dias, todas as verbas remuneratórias e indenizatórias pagas a seus agentes, Dino afirmou que se consolidou no país um sistema de "penduricalhos" incompatível com a Constituição. A determinação do ministro atinge todas as esferas da administração pública: municípios, estados e também o governo federal.

 

Na decisão, o ministro cita alguns exemplos:

  • Licença compensatória de 1 dia para cada 3 dias normais de trabalho, licença essa que pode ser “vendida” e se acumula com o descanso em sábados, domingos e feriados;
  • Gratificações de acervo processual (por vezes a premiar quem acumula muitos processos);
  • Gratificações por acúmulo de funções (exercidas na mesma jornada de trabalho, em dias úteis e no período diurno);
  • Auxílio-locomoção (pago inclusive a quem não comprova que se locomove para trabalhar);
  • Auxilio-combustível (pago inclusive a quem não comprova o gasto com combustível);
  • Auxílio-educação (por vezes sem que haja o custeio de qualquer serviço educacional);
  • Auxílio-saúde (independentemente da existência ou não de planos de saúde, e dos seus valores);
  • Licença-prêmio (também com conversão em dinheiro);
  • Acúmulos de férias, por vontade própria e unilateral do servidor, também a serem convertidos em parcelas indenizatórias

"O que se observa é uma multiplicação anômala de parcelas rotuladas como indenizatórias, utilizadas para ultrapassar o teto constitucional de remuneração", afirma Dino em sua decisão.

 

Bônus natalinos

Dino também menciona benefícios que ganharam nomes como “auxílio-panetone” e “auxílio-peru”, classificando-os como pagamentos que, embora tenham denominação aparentemente anedótica, se tornaram recorrentes nos últimos anos e configuram, segundo ele, violação frontal ao teto constitucional.

 

"Ainda que se cuide de nomes aparentemente anedóticos, eles caem em conhecimento geral repetidamente nos últimos anos, configurando frontal violação à Constituição", escreveu.

 

 A medida também atinge outros tipos de penduricalhos que vem sendo adotados por órgãos Brasil agora. Um exemplo é o benefício implementado pela Procuradoria-Geral do Município de São Paulo que permite que procuradores recebam até R$ 22 mil para adquirir computadores, celulares e outros itens eletrônicos. A benesse passou a ser chamada de "auxílio Iphone", em alusão ao aparelho telefônico de luxo.  

 

A liminar de Dino foi dada em uma ação apresentada ajuizada por procuradores municipais de Praia Grande (SP) contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que limitou a remuneração da categoria a 90,25% do subsídio dos ministros do STF. Segundo os procuradores, a remuneração total da carreira deveria corresponder ao valor integral do subsídio dos ministros da Corte.

 

Pela decisão, todas as verbas que não tenham previsão legal expressa deverão ser suspensas após o prazo de revisão, com a publicação de atos administrativos detalhando o fundamento legal de cada pagamento.

 

 

 

Fachin cancela almoço com ministros depois de recados de Moraes sobre código de ética

Mônica Bergamo / FOLHA DE SP

 

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, cancelou o almoço do dia 12 com ministros em que discutiria um cronograma para a implantação do Código de Ética na Corte.

Ele já avisou alguns colegas que o evento foi adiado.

O cancelamento ocorre horas depois de o ministro Alexandre de Moraes dar diversos recados contrários à adoção do código. As declaraçõers foram feitas na sessão desta quarta (4) na qual foi julgada uma ação que questiona regras para manifestações de juízes nas redes sociais. Ele era o relator do processo.

Ao proferir seu voto, Moraes afirmou que a Constituição Federal e a Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional) "bastam para regrar a magistratura", fala que foi compreendida internamente como uma crítica às diretrizes defendidas por Fachin e elevadas por ele a prioridade de sua gestão.

"Se a Constituição não solucionou e a Loman não solucionou, o Código Penal vai solucionar. É simples, basta aplicar", disse o ministro na sessão, ao defender resolução do CNJ [Conselho Nacional de Justiça] que fixou parâmetros para o uso de redes por juízes.

 

O ministro citou que, nas carreiras públicas, a magistratura é a que tem mais restrições sobre atividades extras. "O magistrado não pode fazer mais nada na vida, só o magistério. Pode dar aulas, dar palestras. E como o magistrado só pode dar aulas e palestras, passaram a demonizar as palestras. Por falta do que criticar, daqui a pouco a má-fé vai para quem dá aula nas universidades", disse.

Também afirmou que as regras de impedimento e suspeição são claras no âmbito do Supremo e que "o magistrado, desde o juiz de Aguaí [município de São Paulo] até o STF, está impedido de julgar qualquer caso que tenha como partes ou como advogados seus parentes". Ele ainda criticou a imprensa.

 

Essa foi a primeira manifestação pública do ministro sobre o assunto desde a eclosão em dezembro da crise do Banco Master, que colocou o tribunal sob pressão. O escritório da esposa do ministro, a advogada Viviane Barci, firmou um contrato de R$ 3,6 milhões mensais com a instituição financeira para representá-la na Justiça.

Também no centro da crise devido a negócios familiares que associam seus irmãos a um fundo de investimentos ligado ao Master, o ministro Dias Toffoli, relator da investigação sobre a instituição financeira, defendeu que juízes podem ser sócios de empresas, desde que não dirigentes.

"Vários magistrados são fazendeiros, donos de empresas. E eles, não excedendo a administração, têm todo o direito aos seus dividendos", disse ele em resposta a Moraes, que havia feito um apontamento semelhante.

De acordo com Moraes, a Loman só proíbe que juízes sejam sócios-dirigentes. "Se assim não fosse, nenhum magistrado poderia, por exemplo, ter uma aplicação no banco, ter ações no banco. 'Ah, é acionista do banco, então não vai poder julgar ninguém do sistema financeiro'", criticou.

Toffoli acrescentou: "Teria que doar a sua herança a alguma entidade de caridade".

ALEXANDRE DE MORAIS

Caso Master: Toffoli coloca BC sob a lei do silêncio e impede o País de ter acesso aos fatos

Por Alvaro Gribel / O ESTADÃO DE SP

 

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)Dias Toffoli detém sob sigilo - e sob controle - as informações mais sensíveis da República: o inquérito referente ao Banco Master. Na prática, isso significa que o órgão regulador do sistema financeiro, o Banco Central, está impedido de prestar informações ao País, já que também está submetido a essa lei do silêncio.

Documentos, atas, notificações, trocas de e-mails, mas principalmente entrevistas estão proibidas de serem prestadas à imprensa, e, com isso, as defesas de todos os investigados conseguem igualar o jogo e espalhar versões que tentam colocar o investigador em papel de investigado. O BC tem muito a esclarecer, mas está impedido - o que só ajuda a tornar o caso mais obscuro.

O depoimento do diretor de fiscalização Ailton de Aquino foi a única oportunidade que o Banco Central teve de se expressar até agora, e o Estadão revelou que havia intenções por trás de cada pergunta enviada por Toffoli à delegada Janaína Palazzo, com comentários por escrito de que buscava encontrar “omissões e contradições” nas falas do chefe pela área de fiscalização.

Aquino tomou um chá de cadeira de mais de dez horas no STF antes de prestar depoimento e foi impedido de falar por videoconferência. Falou por último, depois de a PF ter escutado os dois investigados do caso, o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Naquela situação, o representante do órgão regulador falava como testemunha, mas era tratado como se precisasse prestar contas das suas ações.

Em um dos momentos mais constrangedores dos depoimentos, Palazzo é cobrada pelo juiz auxiliar Carlos Vieira von Adamek, do gabinete de Toffoli, para que fizesse as perguntas do magistrado após a primeira audiência, com Vorcaro.

Espantada, Palazzo explica que já havia abordado todos os temas, e questiona se Adamek queria que tudo fosse refeito, lendo palavra por palavra; ele apenas balança a cabeça com um “sim”. Não basta impor sigilo sobre o caso, é preciso deixar a delegada que cuida do inquérito em posição desconfortável para fazer o seu trabalho à frente dos investigados.

O Master era um banco de R$ 75 bilhões de ativos, um peixe pequeno na Faria Lima, mas que usava os recursos captados de pequenos investidores pessoas físicas para pagar consultorias, escritórios de advocacia e patrocinar eventos com autoridades do primeiro escalão de Brasília. Só isso explica o interesse do STF no caso.

Com o sigilo, Toffoli impede o País de ter acesso aos fatos e o Banco Central de dar explicações sobre o caso.

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Opinião por Alvaro Gribel

Repórter especial e colunista do Estadão em Brasília. Há mais de 15 anos acompanha os principais assuntos macroeconômicos no Brasil e no mundo. Foi colunista e coordenador de economia no Globo.

Parentes de ministros do STF têm 70% dos casos no Supremo e STJ após posse de familiares

Por Weslley Galzo e Hugo Henud / O ESTADÃO DE SP

 

 

BRASÍLIA E SÃO PAULO – Parentes de primeiro grau de oito dos dez atuais ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tiveram um salto na atuação em tribunais superiores após a ascensão de seus familiares à cúpula do Judiciário. Levantamento realizado pelo Estadão mostra que 70% dos processos com a participação desses advogados foram protocolados depois de os ministros serem empossados no STF.

 

A reportagem contabilizou 1.860 processos no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que contam com a participação de parentes dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Edson Fachin, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Flávio Dino. Desse montante, 1.289 casos tiveram início após esses magistrados se tornarem membros da Suprema Corte, o equivalente a sete em cada dez ações. Outros 571 processos com envolvimento dos advogados parentes dos magistrados tiveram início antes das suas posses.

O Estadão obteve resposta de apenas três dos oito parentes de ministros citados. São eles: Melina Fachin, Guiomar Feitosa e Rodrigo Fux. Todos argumentaram que os casos em que atuaram nos tribunais superiores foram originados em instâncias inferiores e que se mantiveram nos processos quando ascenderam aos tribunais dos parentes.

 

André Mendonça e Cármen Lúcia não têm parentes de primeiro grau com ações nos dois tribunais.  Em nota, o STF afirmou que os ministros cumprem rigorosamente as normas, “abstendo-se de atuar em qualquer causa em que haja impedimento legal”. “O Supremo Tribunal Federal (STF) esclarece que a atuação de profissionais da advocacia que possuem parentesco com magistrados é regulada pelo Código de Processo Civil e pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), que estabelecem hipóteses claras de impedimento e suspeição”, afirmou. (Leia a nota completa abaixo.)

 

A atuação de parentes advogados em tribunais nos quais há juízes familiares não é ilegal. Juristas e especialistas, porém, avaliam que o crescimento desse tipo de atuação reforça a necessidade de regras mais claras de transparência e de salvaguardas éticas capazes de preservar a legitimidade institucional da Corte e a percepção pública de imparcialidade.

 

“Do ponto de vista do cliente, a aposta é que ter um parente de ministro do STF como advogado leve os membros do STJ ou do próprio STF a analisarem o caso com mais cuidado, dadas as relações institucionais”, disse Bruno Carraza, autor do livro O País dos Privilégios.

 

O desembargador aposentado Walter Maierovitch argumenta que, “no campo dos indícios”, há elementos significativos de que o aumento está relacionado “ao vínculo de parentesco e à crença malandra de se poder obter, em razão disto, alguma vantagem no julgamento da causa”. Ele pondera, contudo, que outros fatores devem ser considerados, como o momento de entrada na causa e o tipo de ação.

 

As normas em vigor exigem, em linhas gerais, a declaração de impedimento do ministro para julgar processos nos quais haja atuação direta de parentes. A seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) apresentou ao presidente do STF, Edson Fachin, uma proposta de código de ética para ministros de Cortes superiores, cujo conteúdo veda a atuação dessas autoridades em processos que tenham parentes até o terceiro grau, amigos íntimos, advogados ou escritórios com vínculo direto com o magistrado. Os ministros também ficariam impedidos de julgar casos em que o resultado possa resultar em benefício pessoal ou a pessoas próximas.

 

Mulher de Moraes, ex-mulher de Toffoli e filho de Fux aumentaram atuação em Cortes superiores

O Estadão já mostrou que a atuação da mulher do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviani Barci, aumentou de 27 processos no STF e no STJ para 152 nos mesmos tribunais após a posse do marido, um salto de 463%. Em muitos desses processos, Viviane contou com o apoio dos filhos do casal, que também são advogados.

A atuação do escritório passou a ser alvo de questionamentos após a revelação de um contrato de R$ 129 milhões firmado com o Banco Master, instituição que acabou liquidada em meio a suspeitas de fraudes financeiras estimadas em cerca de R$ 12,2 bilhões.

 

O mesmo ocorreu com a ex-mulher do ministro Dias Toffoli. Roberta Maria Rangel viu seus processos saltarem de 53 para 127, um aumento de cerca de 140%.  Já o filho do ministro Luiz Fux, o advogado Rodrigo Fux, saiu de cinco para 544 processos no STF, incluindo ações contra a Petrobras e um processo que tem como parte interessada o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Ao todo, 99% das ações com atuação do advogado nessas instâncias foram protocoladas após a posse de Fux no Supremo, em 2011. Procurado, Rodrigo Fux afirmou, em nota, que sempre atuou em processos desde a origem da causa e que a maioria das ações chegou ao STF por iniciativa da parte contrária.

 

Fachin: atuação da filha em defesa de Itaipu e Paraguai

Filha do atual presidente do Supremo, Edson Fachin, Melina Girardi Fachin concentrou a maior parte de sua atuação no STF e no STJ após a chegada do pai à Corte. Do total de processos em que a advogada atuou nessas instâncias, 69,5% foram protocolados depois da posse de Fachin, em 2015. No STF, três dos sete processos tiveram início após a nomeação do ministro. Já no STJ, esse número sobe para 63 dos 88 casos no mesmo período.

 

Em nota, a advogada afirmou que as ações nas quais atuou no STF estiveram sob sua responsabilidade desde as instâncias inferiores e, pelo curso natural das ações, chegaram aos tribunais superiores.

 

“Em toda nossa atuação profissional, mas sobretudo desde a posse do Ministro Fachin no Supremo, o elevado filtro ético permeia nossa atuação advocatícia para selecionar, a partir de nossa competência técnica, quais causas patrocinamos”, afirmou em nota Marcos Gonçalves, marido de Milena. “É natural que em 20 anos de atividade profissional nossa carteira de atuação tenha se expandido, marca do nosso bom trabalho e da credibilidade que construímos.”

 

Melina teve como principais clientes no STF a Itaipu Binacional e a República do Paraguai – advogados estrangeiros são impedidos por lei de atuarem no Brasil, o que exige que empresas internacionais e outras nações contratem defensores brasileiros para representá-los no País.

 

Dos seus sete processos na Suprema Corte, três foram representando o país vizinho e dois a empresa de dupla nacionalidade. Em um desses casos como advogada do Paraguai, Melina conseguiu derrotar o Ministério Público Federal (MPF), que ingressou com ação no STF para que o Tribunal de Contas da União (TCU) fosse autorizado a realizar a “fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial de todos os atos, contas e contratos” da Itaipu. A empresa, a União e o Paraguai foram contra o MPF.

 

O caso foi registrado em 2012, antes da posse de Fachin, e o julgamento só ocorreu em 2020, com o ministro já como membro do STF. O magistrado se declarou impedido de participar do julgamento por causa da atuação da filha como advogada no caso. Sem Fachin, o plenário foi unânime contra o pedido do MPF. Procurada, a Itaipu afirmou que “mantém, há muitos anos, contratos regularmente firmados com o escritório Fachin Advogados Associados, todos celebrados muito antes da posse do ministro Edson Fachin no Supremo Tribunal Federal, em 2015″. (Leia a nota completa ao final do texto.)

 

Em entrevista ao Estadão, o ministro disse que a discussão não pode ter “filhofobia”, em referência aos filhos de ministros que atuam como advogados. “Por que um filho deve mudar de profissão quando o pai vira juiz? Não precisa. Agora, precisa ter transparência. Faz o quê? Advoga onde? Em que termos? Em quais ações? Tudo isso tem que estar transparente”, disse o ministro, ao defender que essas regras sejam incorporadas ao código de ética dos tribunais superiores, proposta que ele vem articulando com colegas do Supremo.

 

Gilmar: Guiomar Feitosa e as causas envolvendo Vale e Braskem

O ministro Gilmar Mendes teve o filho Francisco Mendes e a ex-mulher Guiomar Feitosa com causas nos tribunais superiores após a sua posse. Tanto no Supremo quanto no STJ, todos os processos assumidos por eles tiveram início depois de ele tomar posse na Corte, em 2002. Mas há particularidades na atuação dos dois. A advogada se casou com o ministro em 2007 e só passou a atuar profissionalmente como advogada a partir da década de 2010, quando deixou o serviço público e os cargos comissionados que exerceu para atuar no escritório Bermudes Advogados. Essa é a razão que faz com que todos os seus processos tenham sido iniciados após a posse do marido. Já Francisco advogou em apenas um caso no STF, em 2016.

 

Em nota, a advogada e ex-mulher do ministro disse que não atua em processos no STF e que seu nome aparece vinculado à Corte em referência a “atuações realizadas em instâncias inferiores, que chegaram ao STF por força do sistema recursal, hipótese em que o registro do nome do advogado permanece nos autos por razão formal, sem correspondência com atuação efetiva na instância superior”. (Leia a nota completa mais abaixo.)

 

Sobre os casos no STJ, ela argumenta que sua “atuação equivale a um número consideravelmente menor, frente ao volume de processos do escritório”. O ministro Gilmar Mendes enfatizou os argumentos da ex-mulher em nota à reportagem e declarou que não atuou em nenhum dos três processos defendidos por ela que chegaram ao STF.

Em uma caso de 2019 no STJ, Guiomar atuou na defesa da Braskem em um processo que trata de pedidos de bloqueio de recursos superiores a R$ 100 milhões da empresa, no contexto dos danos causados pela mineração realizada pela companhia em Maceió. O processo foi encerrado em 2020 após um acordo entre as partes, homologado pela Justiça Federal, o que levou ao arquivamento do pedido no STJ sem julgamento do mérito. Procurada pelo Estadão, a Braskem não respondeu.

 

Nunes Marques: defesa da JBS e da Equatorial pela irmã Karine Marques

Nunes Marques, por sua vez, tem a irmã Karine com atuação em tribunais superiores. Karine atua em diversos casos pela Equatorial Energia Piauí, concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica no Estado, e também integrou a defesa da JBS, dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista, em um recurso apresentado em 2023 pela Distribuidora de Carnes Equatorial em uma disputa de R$ 50,4 milhões.

 

O caso não teve o mérito analisado: em 2024, o tribunal rejeitou os embargos de declaração e manteve a decisão que barrou o recurso por falha processual, ao entender que a parte recorrente não atacou todos os fundamentos da decisão anterior. Com isso, prevaleceu o resultado favorável à JBS no STJ. Karine afirmou em resposta à reportagem que “nunca atuou no STF nem no TSE” e que não possui parente no STJ. Ainda segundo a advogada, “ela já era responsável por diversos processos antes da nomeação de seu irmão como ministro”. (Leia a nota completa no fim da reportagem.)

 

“O resultado exibido no site do STF não se refere a um caso em que Karine Marques atue ou tenha atuado no tribunal. Trata-se de um recurso apresentado por outra parte de uma ação em que ela havia atuado em instâncias anteriores e à qual ela renunciou quando chegou ao Supremo, como comprova o documento anexo”, justificou.

A advogada enviou o comprovante de desistência da causa no STF, que foi confirmado pelo Estadão. Ela afirmou ainda que segue atuante em 36 casos no STJ e que desistiu dos demais após se desligar da empresa em que trabalhava, em 2022.

 

Em nota, a Equatorial Energia afirmou que a contratação do escritório em que Karine trabalhou “não guarda qualquer relação com suposto favorecimento ou qualquer influência externa”. A empresa disse ainda que escritório já atuava na prestação de serviços terceirizados de advocacia para antiga Cepisa desde 2008, antes de a empresa passar a ser controlada pela Equatorial Energia. (Leia a nota completa mais abaixo.) Procurada, a JBS não respondeu.

Zanin e Dino: Valeska Martins, Sálvio Dino e o histórico no STJ

O ministro Cristiano Zanin é marido da advogada Valeska Martins, que não atuou perante o STF, mas tem 92 processos no STJ. Porém, a maioria dos casos foi protocolada antes da chegada do marido ao Supremo, em agosto de 2023. Dezoito foram iniciados depois de Zanin compor o colegiado. Situação semelhante aparece no caso do ministro Flávio Dino. O irmão dele, o advogado Sálvio Dino de Castro e Costa Júnior, soma 287 processos no STJ, em sua maioria anteriores à posse do ministro no STF, com 67 ações protocoladas posteriormente. No Supremo, foram identificados 35 processos, também predominantemente anteriores à posse, sendo dois iniciados após a chegada de Dino à Corte.

 

Especialistas alertam para influência, acesso a gabinetes e enfraquecimento das regras

Para o professor do Insper e pesquisador da USP Luiz Gomes Esteves, casos como esses ajudam a explicar por que a atuação de familiares de ministros se tornou um tema sensível dentro do Supremo. Os dados, afirma, mostram como a proximidade com ministros tende a funcionar como um “ativo” para clientes e escritórios de advocacia, ao facilitar o acesso às instâncias superiores do Judiciário. Na avaliação de Esteves, o código de conduta atualmente debatido no STF deveria ser ampliado e integrado a um marco mais robusto de regras sobre impedimentos e suspensões. “É preciso evitar que interesses e relações pessoais influenciem não apenas o julgamento final dos processos, mas também a percepção pública sobre a imparcialidade do tribunal”, disse.

 

Esteves chama a atenção ainda para um problema estrutural menos visível: o acesso de advogados aos gabinetes dos ministros, que não é regulamentado nem uniforme. Essa assimetria, segundo ele, abre espaço para tratamentos diferenciados e para a percepção de influência antes mesmo de o caso chegar ao plenário. “Esse acesso funciona como um ativo difícil de justificar em uma democracia”, disse.

 

O debate ganhou contornos institucionais com mudanças promovidas pelo próprio Supremo nas regras sobre a atuação de parentes de magistrados como advogados.

A professora de Direito da ESPM Ana Laura Barbosa, que participou da elaboração de uma proposta de código de conduta pela Fundação FHC, afirma que um dos principais problemas do modelo atual foi a flexibilização dessas normas pela própria Corte.

 

Aprovado em 2015, o Código de Processo Civil (CPC) vedava que juízes julgassem processos envolvendo pessoas ou empresas vinculadas a escritórios de advocacia de familiares. Em 2023, porém, o STF declarou a regra inconstitucional, ao atender a um pedido da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB). “Era uma solução positiva e benéfica à construção da imagem de imparcialidade”, afirmou.

 

Com a decisão, os ministros mantiveram apenas a regra que declara o juiz impedido quando um parente atua diretamente no processo. Para Ana Laura, além de rever essa flexibilização, o Supremo poderia adotar medidas adicionais de transparência, como a divulgação sistemática de dados sobre impedimentos e suspeições. “Um painel que mostre em quantos processos os ministros se declararam impedidos ou suspeitos tornaria o controle mais visível e ajudaria a fortalecer a confiança na atuação da Corte”, disse.

 

A discussão sobre a atuação de parentes de ministros se soma a outros episódios recentes que ampliaram o debate institucional sobre conduta e transparência no Supremo, dentro e fora do tribunal.

 

Leia a nota do STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) esclarece que a atuação de profissionais da advocacia que possuem parentesco com magistrados é regulada pelo Código de Processo Civil e pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), que estabelecem hipóteses claras de impedimento e suspeição. Os ministros cumprem rigorosamente tais normas, abstendo-se de atuar em qualquer causa em que haja impedimento legal.

 

Em relação ao questionamento sobre o Código de Ética, o Tribunal reafirma o compromisso anunciado hoje pelo presidente da Corte na abertura do Ano Judiciário de 2026. Sob a relatoria da ministra Cármen Lúcia, a elaboração do Código de Ética do STF terá como premissa o fortalecimento da transparência e da integridade institucional. A relatora conduzirá os trabalhos relativos à elaboração da proposta e esclarecemos que o conteúdo do texto, o cronograma e outros temas de discussão serão definidos de forma consensual entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Leia a nota de Milena Fachin, enviada pelo marido Marcos Gonçalves

A Professora Melina Fachin formou-se em direito em 2006 pela Universidade Federal do Paraná, mesmo ano em que iniciou suas atividades como advogada. Ainda 2006 iniciou o Mestrado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) e em 2007 deu início ao magistério superior.

 

Concluiu o Mestrado em 2008 e em 2010 ingressou no Doutorado também na PUCSP, com tese defendida em 2013 após estágio de pesquisa na Harvard Law School. Em 2020 concluiu o Pós Doutoramento pela Universidade de Coimbra.

 

Em 2012 foi aprovada no concurso para docência em Direito Constitucional na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná, instituição na qual desde de 2024 ocupa o cargo de Diretora do Setor de Ciências Jurídicas.

 

Além da direção, já ocupou os cargos de vice-chefe e chefe de departamento, ambos por dois mandatos, além de coordenar diversos projetos de pesquisa e extensão com ênfase no Direito Constitucional e nos Direitos Humanos. Ao lado da carreira acadêmica, durante esses quase 20 anos de atividade profissional, manteve sua atuação ética e comprometida na advocacia.

 

Quanto a mim, graduei-me pela pela Universidade Federal do Paraná em 2007, fiz mestrado também na PUCSP, com título obtido em 2012 e doutorado na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) com tese defendida em 2019. Ambos na área do Direito Civil. Ao longo do doutorado fiz estágio de pesquisa na Universidade de Coimbra.

 

Entre 2012 e 2017 lecionei em faculdade de direito de Curitiba, entre elas a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), tendo deixado o magistério superior para me dedicar a outras atividades profissionais (além de advogado, sou produtor cultural).

 

Em 2006 foi fundado o escritório Fachin Advogados Associados, do qual eram sócios o Dr. Luiz Edson Fachin e a Dra. Melina, além de um terceiro sócio. Em 2007, com minha graduação e imediata aprovação no exame da OAB, ingressei na mesma sociedade. Melina e eu somos casados desde 2008, sendo que convivemos juntos desde 2003.

 

Desde a fundação do escritório nossa atuação profissional é pautada pela solução de problemas complexos, com alto rigor técnico, fruto da especialização acadêmica concomitante e pela conduta ética inegociável.

 

Nossa responsabilidade profissional nos impõe buscar soluções técnicas e completas, razão pela qual acompanhamos os processos, como regra, desde a primeira instância até o seu devido desfecho.

 

Em 2015, com a posse do Dr. Luiz Edson Fachin no cargo de Ministro do STF e sua saída do escritório Fachin Advogados, estabelecemos a regra de não assumirmos casos que estivessem tramitando no Supremo, mantendo, contudo, aqueles anteriores para os quais havíamos sido contratados e acompanhávamos desde a origem e tínhamos responsabilidade ética em seguir a prestação profissional. Quanto ao STJ, mantivemos a mesma linha de conduta, mantendo o padrão técnico e o escopo de atuação que há quase vinte anos é a marca da nossa atividade profissional.

 

Em toda nossa atuação profissional, mas sobretudo desde a posse do Ministro Fachin no Supremo, o elevado filtro ético permeia nossa atuação advocatícia para selecionar, a partir de nossa competência técnica, quais causas patrocinamos.

 

É preciso que tudo isso seja dito, pois respeitosamente entendo que qualquer análise baseada apenas em números de processos é falha - especialmente quando expressado em percentuais, que muitas vezes acabam por transparecer grandezas maiores do que os números efetivos. É natural que em 20 anos de atividade profissional nossa carteira de atuação tenha se expandido, marca do nosso bom trabalho e a credibilidade que construímos. Seguindo essa inegociável rigidez ética, desde meado de 2025, com a posse do Ministro Fachin na Presidência do STF, decidimos pela atuação ainda mais contida e mais voltada à consultoria jurídica.

Fiz questão de descrever minuciosamente todas essas informações para deixar claro que nossa atuação é fruto de uma formação acadêmica sólida, extensa e comprometida com o desenvolvimento do pensamento jurídico. Há, em tudo isso, esforço legítimo e comprometimento com a ética para que possamos seguir atuando, na academia e na advocacia, preservando nossa credibilidade e a imagem que construímos até aqui

Leia a nota de Guiomar Feitosa

O Bermudes Advogados, escritório que atua há quase 60 anos no cenário jurídico brasileiro, esclarece que a advogada Guiomar Feitosa não atua em processos no Supremo Tribunal Federal (STF). Os poucos processos em que seu nome aparece vinculado à Corte se referem a atuações realizadas em instâncias inferiores, que chegaram ao STF por força do sistema recursal, hipótese em que o registro do nome do advogado permanece nos autos por razão formal, sem correspondência com atuação efetiva na instância superior.

A advogada Guiomar Feitosa, após carreira de 32 anos no serviço público, em órgãos como Ministério da Justiça, STF, TST e TSE, ingressou na advocacia privada após sua aposentadoria. Na ocasião, optou, por decisão estritamente pessoal, não atuar no STF desde então, embora não exista qualquer impedimento legal para tanto.

No âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sua atuação equivale a um número consideravelmente menor, frente ao volume de processos do escritório, especialmente quando comparado às milhares de causas conduzidas por outros advogados da banca ao longo de décadas. A atuação do Bermudes Advogados perante os Tribunais Superiores é distribuída entre diversos profissionais e se pauta exclusivamente por critérios técnicos e em estrita conformidade com a legislação e com o Código de Ética da Advocacia.

Leia a nota de Karine Nunes Marques

A advogada Karine Marques nunca atuou no STF nem no TSE. Ela não é parente de nenhum ministro do STJ. Ela já era responsável por diversos processos antes da nomeação de seu irmão como ministro.

O resultado exibido no site do STF não se refere a um caso em que Karine Marques atue ou tenha atuado no tribunal. Trata-se de um recurso apresentado por outra parte de uma ação em que ela havia atuado em instâncias anteriores e à qual ela renunciou quando chegou ao Supremo, como comprova o documento anexo.

No STJ, Karine Marques mantém 36 processos ativos. Os demais registros do site do tribunal são de ações das quais ela não participa mais. Ela saiu da maior parte desses processos em 2022, quando se desligou da empresa em que ingressou como estagiária e onde atuou por mais de 15 anos, acompanhando os casos desde a primeira instância.

Leia a nota da Equatorial Energia

A Equatorial Energia esclarece que a contratação do escritório Carvalho, Araújo & Marques Sociedade de Advogados (anteriormente denominado Lex Advocacia - Marques, Carvalho & Araújo) não guarda qualquer relação com suposto favorecimento ou qualquer influência externa.

Ressalta que o referido escritório já atuava na prestação de serviços terceirizados de advocacia para antiga Cepisa desde 2008, muito antes da assunção do controle pela Equatorial Energia, portanto, já integrando o quadro de parceiros jurídicos da companhia à época da aquisição do controle pela Equatorial e muito antes de que seu ex-sócio assumisse qualquer cargo público, primeiro no TRF1, depois no STF.

Importante destacar, ainda, que a irmã do ministro não compõe os quadros do referido escritório, não havendo vínculo profissional que possa caracterizar qualquer conflito de interesse.

Todas as contratações realizadas pela Equatorial seguem rigorosos critérios técnicos, legais e de compliance, estando alinhadas às melhores práticas de governança corporativa do mercado.

A empresa reafirma seu compromisso com a ética, a legalidade e a integridade em todas as suas relações, estando à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais.

Leia a nota da Itaipu Binacional

A ITAIPU Binacional esclarece que mantém, há muitos anos, contratos regularmente firmados com o escritório Fachin Advogados Associados, todos celebrados muito antes da posse do ministro Edson Fachin no Supremo Tribunal Federal, em 2015.

O primeiro contrato foi firmado em 2003; o segundo, em 2008; e o terceiro, em 2009, cada qual destinado à atuação jurídica em diferentes demandas envolvendo a empresa. Dois desses contratos permanecem vigentes em razão da continuidade dos processos correspondentes, enquanto o instrumento firmado em 2009 foi encerrado após o término das ações nele previstas.

A ITAIPU destaca, ainda, que está satisfeita com o trabalho desenvolvido pelo escritório ao longo desses anos, que sempre atuou com profissionalismo e obteve resultados positivos em favor da entidade.

Ex-presidente do Rioprevidência é preso após fundo virar alvo da PF por aplicações no Master

Leonardo Vieceli / FOLHA DE SÃO PAULO

 

 

Rio de Janeiro

O ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes foi preso nesta terça-feira (3) em Itatiaia, na região sul do Rio de Janeiro (a cerca de 180 km da capital), durante a segunda fase da Operação Barco de Papel.

Deflagrada pela PF (Polícia Federal) com apoio da PRF (Polícia Rodoviária Federal), a ação investiga aplicações do fundo fluminense no Banco Master. O Rioprevidência é responsável pelo pagamento das pensões e aposentadorias dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.

Antunes pediu demissão e foi exonerado da presidência pelo governador Cláudio Castro (PL) em 23 de janeiro. A saída ocorreu após o gestor virar alvo no mesmo dia da primeira fase da operação Barco de Papel.

Naquela ocasião, policiais fizeram busca e apreensão em endereços dele e de outros dois ex-executivos no Rio. Antunes estaria em viagem de férias ao exterior.

Nesta terça, a PF afirmou que cumpre três mandados de prisão temporária, além de nove de busca e apreensão. As ações miram endereços ligados a investigados no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.

Duas pessoas estão foragidas. As autoridades não confirmaram as identidades.

Segundo a Polícia Federal, os mandados foram decretados pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro com base em indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas. Antunes é apontado como o principal alvo da operação.

"Após o cumprimento do mandado de busca e apreensão no apartamento do principal alvo da operação deflagrada em 23 de janeiro, a Polícia Federal identificou movimentações suspeitas de retirada de documentos do apartamento do investigado, manipulação de provas digitais, além da transferência de bens (dois veículos de luxo) para terceiros", afirmou a corporação em nota nesta terça.

Procurada pela Folha, a defesa de Antunes disse que "as questões estão sendo apuradas". 

A operação desta terça envolveu a delegacia especial da PF no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, e a PRF em Itatiaia.

De acordo com a Polícia Federal, Antunes foi preso após ser abordado por agentes no município fluminense, que fica na região de divisa com São Paulo. Ele estava em um veículo que teria sido alugado para a saída do aeroporto paulista.

Antunes foi conduzido a uma delegacia de Polícia Federal em Volta Redonda, também no Rio de Janeiro. Ele deve ser encaminhado à superintendência da PF na capital para ser ouvido antes de ir para o sistema prisional.

Ao pedir demissão, o ex-presidente enviou uma carta para Castro na qual disse que promoveu um "ciclo virtuoso de gestão" no Rioprevidência. Também afirmou no texto de janeiro que nunca se eximiu de responsabilidades e que se colocava à disposição das autoridades.

"Por fim, enfatizo que repilo tentativas de inquinar como ilegal qualquer ato que pratiquei na gestão do Riopreviência, pois, como disse, sempre agi com espírito público, correção e dentro dos mais elevados preceitos éticos, conduta essa que sempre pautou minha vida profissional nos locais onde trabalhei", acrescentou.

A investigação mira aplicações do Rioprevidência no Master que somam cerca de R$ 970 milhões. Conforme as informações oficiais, os investimentos ocorreram entre novembro de 2023 e julho de 2024.

As operações envolveram letras financeiras do banco sem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Ou seja, podem resultar em prejuízo para o fundo de aposentadorias.

O Master foi liquidado pelo BC (Banco Central) após suspeitas de um amplo esquema de irregularidades na instituição comandada por Daniel Vorcaro.

Ao justificar a ação desta terça, a PF disse que a Justiça considerou haver risco de destruição de provas e obstrução das apurações, caso os investigados permanecessem em liberdade.

O governo Castro fez mudanças no comando do Rioprevidência na semana passada, depois da primeira fase da ação policial.

O governador exonerou Alcione Soares Menezes Filho do cargo de diretor de administração e finanças da autarquia. Para a mesma função, nomeou o servidor concursado Nicholas Ribeiro da Costa Cardoso.

Com a troca, Cardoso também assumiu a condição de presidente interino do Rioprevidência. Isso aconteceu porque, segundo o regimento interno do órgão, em caso de falta ou impedimento, o presidente deve ser substituído pelo diretor administrativo e financeiro. É o cenário atual.

Castro ainda nomeou Gilson Felix da Silva como diretor de investimentos. Ele substituiu Eucherio Lerner Rodrigues, que já havia deixado a autarquia. Rodrigues foi alvo da primeira fase da operação da PF no mês passado, assim como Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-gerente de investimentos.

Silva chegou ao Rioprevidência em janeiro, após atuar no mercado financeiro, de acordo com informações disponíveis em perfil no LinkedIn.

 

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