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Eunício Oliveira: 'O poder foi entregue para aqueles que perderam as eleições'

Por  / O GLOBO 

 

 

Ex-presidente do Senado e no Congresso há mais de duas décadas, o hoje deputado federal Eunício Oliveira (MDB-CE) defende que o partido tenha candidato à presidência de uma das Casas em 2025 para a sigla “seguir no jogo”. Ministro no primeiro mandato de Lula, ele está insatisfeito com a articulação política do governo, aponta falta de interlocução com o Planalto e, embora seu partido tenha três ministérios, reclama do espaço dado a ex-apoiadores de Bolsonaro.

 

O MDB deve lançar candidato a presidente da Câmara em 2025?

Quem não disputa eleição desaparece do jogo. Ganhar ou perder é uma consequência da democracia. É legítimo que o MDB, com a história que tem, que foi forjado lutando contra qualquer tipo de imposição, deseje ter candidatura própria.

 

O senhor é opção?

Precisamos discutir isso internamente no partido.

 

E no Senado, o partido deve bancar a candidatura de Renan Calheiros?

Tenho relação boa com os senadores, mas não sei qual será o posicionamento do Senado. É mais do que natural que o MDB, tendo candidatura no Senado, tenha dificuldade para ter na Câmara. É natural também que, tendo na Câmara, dificulte um pouco a candidatura lá.

 

O MDB é da base do governo, mas na Câmara já deu votos contra o governo. Por quê?

O MDB sempre teve e sempre aceitou as divergências internas. Se eu achar que não devo votar em matéria A ou B, eu não vou votar. Isso não significa que você deixa de ser da base.

 

Como avalia a relação do governo com a Câmara?

Ainda há uma forte desarticulação do governo na Casa. As decisões estão sendo tomadas muito reservadamente. O Infoleg (aplicativo que permite votação remota) contribuiu para isso, praticamente não tem mais presença em plenário, não se encontra mais os líderes fazendo encaminhamento de matéria. Hoje é tudo eletrônico. Isso pode até ser prático, mas é extremamente desarticulador. As decisões estão muito fechadas nas decisões de líderes.

 

Acredita que isso tenha relação com o estilo do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de conduzir as votações?

Não quero vincular a nomes. Estou falando do processo político, a gente vem tendo muita dificuldade. O Randolfe Rodrigues (sem partido-AP) sempre foi muito correto comigo quando eu era presidente (do Senado), ele é uma pessoa muito qualificada, mas, do ponto de vista político dentro da Casa, ele não tem sequer uma filiação partidária. Como pode fazer encaminhamento em relação às duas Casas se por trás disso não tem uma cobertura partidária?

 

A questão então são os líderes do governo?

O Randolfe nunca me procurou sobre nada nessa legislatura. Quanto ao líder (da Câmara, deputado José) Guimarães, ele é muito vinculado e restrito ao PT. Você não vê articulação política de negociações.

 

E sobre a articulação do governo com a cúpula da Câmara?

Na democracia quem ganha governa, quem perde vai para a oposição. Agora, eu nunca vi o que estou presenciando. Quem está no poder não são os que ganharam, o poder está nas mãos dos que apoiaram o outro candidato (Bolsonaro). Por entrega absoluta de quem ganhou. Nada contra o Arthur Lira, tenho uma relação muito boa com ele, mas não aconteceu nenhum tipo de disputa por aqueles que ganharam as eleições. Simplesmente o poder foi entregue para aqueles que perderam as eleições, na sua totalidade quase.

 

O senhor foi ministro de Lula no primeiro governo. Há diferenças no modo como ele trata o Congresso hoje e como o tratava na época?

O presidente Lula, quando saiu da prisão, quis mostrar para o mundo que tinha sido injustiçado, preso politicamente e fez esse périplo pelos países. Espero que, agora, depois dessa questão da cirurgia, ele volte a dialogar como sempre fez. É o estilo dele, com aqueles que sempre o apoiaram e com os demais partidos. Por incrível que pareça, vimos aqui bolsonaristas, petistas e simpatizantes do presidente Lula votando no mesmo candidato (a presidente da Câmara).

 

O Congresso pode impor um calendário para o governo pagar emendas. É a favor?

Na medida que existem as emendas, com transparência, não como orçamento secreto, ela é legítima. Para que você tem um mandato se for só para defender posições ideológicas?

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